Desde sexta-feira o Brasil foi tomado por uma onda ufanista. Uma temerária e já vista onda de nacionalismo exarcebado. Discussões na base do “se você não gosta, vá embora” e “parece que você não é brasileiro por pensar assim”. De uma hora para outra viramos uma nação nacionalista, com orgulho de todas as mazelas que temos, de todas as desigualdades e de toda corrupção que permeia a existência do nosso pais.
Primeiro, gostaria de deixar claro que fiquei emocionado com o anuncio da sede dos jogos no Rio de Janeiro. É sim um marco na história de qualquer cidade, qualquer pais. Mas antes de tudo precisamos acabar com esse ufanismo, esse nacionalismo barato que é tão nocivo a qualquer povo que quer deixar de ser “zé povinho”.
Escrevi isso na semana passada:
Temos um problema sério no Brasil que é a Megalomania. Somos um povo acustumado com desfile de escola de samba na Marquês de Sapucai e Carnaval em Salvador. Sempre queremos o maior do mundo, o mais impressionante do mundo, o mais avassalador do mundo. Se o Brasil fosse governado por Faraós 5000 anos atrás, a nossa maior piramide seria 7x maior que as piramides do Egito e as outras não seriam acabadas jamais. Ficaria aquele monte de pedras pela metade, se estragando com o tempo.
Meu ponto de vista continua sendo esse. Sou contra obras faraônicas. Atenas 2004 paga até hoje os custos dos jogos. Que foram um fracasso no ponto de vista “legado” para a Cidade. Tive a oportunidade de conhecer Seoul, Berlim, Tóquio e Munique; quatro cidades que o legado olimpico é claro. Fez bem à cidade, fez bem ao povo.
A “Olimpiada brasileira” pode ser o “Evento de Formação da Nação Brasileira”. Sim, nós não temos um evento que possamos olhar para trás e falar “aqui nasceu o Brasil”. Não, não nascemos no dia que Pedro Alvares Cabral e mais meia dúzia de portugueses encontraram e Débora Seco e a Camila Pitanga nas praias baianas. Nem nascemos à margem do Rio Ipiranga, muito menos na tão “overhypada” Inconfidência Mineira, nem naquelas guerras mequetrefe contra paraguaios, holandeses ou franceses. Não existe um evento em que batemos no peito e falamos “ali nasceu o que somos”. E cá entre nós, não temos muito do que nos orgulharmos como SOCIEDADE CIVIL.
Não estou falando de futebol, samba, festas folclóricas, belezas naturais, recursos naturais, pré-sal, Lula, FHC, Paulistas, Cariocas, Senna, Piquets, Sarneys e Magalhães. Falo de sociedade cívil mesmo. Em nos comportarmos de maneira civilizada, sermos um povo que se orgulha do que somos, que defende a bandeira sem demagogia, que não joga lixo no chão, que abandona de vez a “lei de gérson”, que vota consciente, que tem escola, educação, saúde.
Que por passarmos a ser realmente uma nação, comecemos a nos importar de verdade com o que é feito com todo o dinheiro que pagamos de impostos. Não nos importando se estamos pagando para Social Democratas, Trabalhadores, Socialisdas, Comunistas, Direita, Esquerda. Na sexta-feira ouvi de várias pessoas a justificativa: “Eles iam roubar o dinheiro do mesmo jeito, pelo menos roubam fazendo algo bacana”. Esse é o sentimento que deveria ser banido daqui pra frente. Deveriamos utilizar esses jogos como a prova final de que o povo brasileiro está de olho no Sr. Lula, no Sr. Nuzman, no Sr. Paes, no Sr. Cabral e em todos aqueles que são responsáveis pelo uso do dinheiro público. Seja para construir um estádio, uma avenida, uma pinguela ou imprimir 3 páginas em alguma impressora do governo.
Os jogos Olímpicos no Brasil são a grande chance que temos, à partir de hoje, mentira à partir de sábado passado, temos um dever conosco, com nossos filhos e netos, em usar de maneira positiva os jogos, como realmente um fator de mudança completa na forma em que nos vemos como nação. Ou não, é a chance de continuarmos sendo uma república das bananas, onde a lei de gérson se perpetua, onde não importamos como nosso dinheiro é gasto e engolimos escândalos atrás de escândalos.
Cabe a nós decidirmos se vamos ser conscientes, ou deixaremos ser inebriados pelo ópio do circo.